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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
NaNoWriMo 2010 - Semana 1
Acabei a semana 1 com 7792 palavras. Estou com 3877 palavras menos do que devia, mas não faz mal, tenho tido muito com que lidar ultimamente e estou muito satisfeita por ter conseguido escrever tanto mesmo assim. Tem-me estado a dar muito gozo este projecto e trabalhar sem planificações, talvez devesse variar os meus métodos de trabalho com maior frequência.
domingo, 31 de outubro de 2010
NaNoWriMo 2010
É aquela altura do ano outra vez. Decidi esta manhã que vou participar no NaNoWriMo deste ano. Contrariamente ao que é hábito, vou estar a trabalhar sem rede, ou melhor, sem outline. Tudo o que tenho são umas quantas ideias para personagens que anotei no meu fiel Moleskine há uns meses.
Desejem-me sorte e mandem chocolate.
Desejem-me sorte e mandem chocolate.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Bloqueios
Não é segredo para aqueles que seguem este blogue que tenho andado com algumas dificuldades em escrever. Estas dificuldades não afectaram só a continuação do Sangue de Dragão mas a minha escrita em geral. O Black Box foi acabado a tempo à força de casmurrice e um certo desespero.
A semana passada fiz um "jejum" de escrita. Pode parecer contraditório, não escrever deliberadamente quando o problema é exactamente não conseguirmos escrever, mas como se costuma dizer às vezes estamos tão obcecados com o problema que não conseguimos ver a resposta.
A pausa fez-me bem. Primeiro porque me deu uma vontade enorme de escrever (ah, os seres humanos, digam-nos que não podemos fazer uma coisa e lá vamos nós... ), mas sobretudo porque me permitiu ganhar perspectiva sobre o que me estava a impedir de escrever: eu mesma.
Escrever é o que eu faço, não o que eu sou. Não sei em que fase do caminho é que me esqueci disso, mas tenho andado a atribuir demasiada importância à concretização dos meus projectos de escrita e, especialmente, à reacção do mundo a esses projectos. Se amanhã deixasse de ser publicada, continuaria a escrever e isso diz tudo sobre qual devia ser a minha prioridade.
A minha obsessão com os resultados andava a impedir-me de apreciar o processo. E o processo é fantástico, o processo é o que fez com que eu continuasse a escrever mesmo quando não conseguia ser publicada. E ao não apreciar o processo, até os dias bons começaram a parecer um fardo.
Portanto este mês, vou reaprender a concentrar-me no caminho e não no destino. Para isso decidi voltar às origens: os contos.
Inscrevi-me no desafio Story-a-Day do fórum FMWriters. O objectivo é escrever uma história por dia durante um mês. Parece de loucos, mas é o que preciso neste momento. Escrever, deixar fluir, sem ter tempo para me preocupar com correcções, edições, publicações e outras consumições. Só escrever e apreciar a viagem.
Gostava de completar as 31 histórias, mas se só conseguir o objectivo minímo de 10, já vai ser óptimo.
A semana passada fiz um "jejum" de escrita. Pode parecer contraditório, não escrever deliberadamente quando o problema é exactamente não conseguirmos escrever, mas como se costuma dizer às vezes estamos tão obcecados com o problema que não conseguimos ver a resposta.
A pausa fez-me bem. Primeiro porque me deu uma vontade enorme de escrever (ah, os seres humanos, digam-nos que não podemos fazer uma coisa e lá vamos nós... ), mas sobretudo porque me permitiu ganhar perspectiva sobre o que me estava a impedir de escrever: eu mesma.
Escrever é o que eu faço, não o que eu sou. Não sei em que fase do caminho é que me esqueci disso, mas tenho andado a atribuir demasiada importância à concretização dos meus projectos de escrita e, especialmente, à reacção do mundo a esses projectos. Se amanhã deixasse de ser publicada, continuaria a escrever e isso diz tudo sobre qual devia ser a minha prioridade.
A minha obsessão com os resultados andava a impedir-me de apreciar o processo. E o processo é fantástico, o processo é o que fez com que eu continuasse a escrever mesmo quando não conseguia ser publicada. E ao não apreciar o processo, até os dias bons começaram a parecer um fardo.
Portanto este mês, vou reaprender a concentrar-me no caminho e não no destino. Para isso decidi voltar às origens: os contos.
Inscrevi-me no desafio Story-a-Day do fórum FMWriters. O objectivo é escrever uma história por dia durante um mês. Parece de loucos, mas é o que preciso neste momento. Escrever, deixar fluir, sem ter tempo para me preocupar com correcções, edições, publicações e outras consumições. Só escrever e apreciar a viagem.
Gostava de completar as 31 histórias, mas se só conseguir o objectivo minímo de 10, já vai ser óptimo.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Comunidades de Escritores
"A escrita é uma profissão solitária" é um daqueles clichés que se tornaram comuns porque são verdadeiros. Não interessa se se tem pessoas a ajudar com a pesquisa e com a revisão, o momento de escrita é entre nós e o papel (ou o ecrã). Esse isolamento pode tornar-se pesado por vezes e as comunidades de escritores online são uma boa maneira de o ultrapassar.
Naturalmente que há desvantagens em frequentar estes sites. Essa frequência pode tornar-se mais um instrumento de procrastinação. O contacto com outros escritores pode deixar-nos com a ideia que devíamos estar a fazer mais, melhor ou simplesmente diferente. Muitas destas comunidades tendem também a ser muito viradas para o objectivo da publicação e a repetição dessa ideia pode tornar-nos de tal modo obcecados que acaba por afogar boa parte do gozo que tiramos da escrita.
No entanto, todas essas desvantagens podem ser evitadas com alguma facilidade e há muitas vantagens em conviver com os nossos pares. A primeira, e a mais óbvia talvez, é a troca de informação: sobre o meio editorial, sobre os mais diversos contextos espaço-temporais, sobre a língua. Qualquer dúvida que tenhamos é bem provável que haja alguém num destes sites que saiba responder. Depois, há a possibilidade de conversar com pessoas que percebem o que nós estamos a fazer e porquê. Não tem a ver com sermos todos pobres génios incompreendidos, mas pensem nisto: em quantos sítios é que eu podia estar a discutir a pesquisa que fiz para o meu livro de piratas sobre diferentes tipos de chicotes e os seus efeitos sem ter as pessoas a olhar para mim de maneira estranha? Há também a possibilidade de estabelecer contactos profissionais e finalmente, muitos destes sites permitem-nos assumir objectivos e responsabilizarmo-nos por cumpri-los, o que é inestimável num trabalho em que não temos a quem prestar contas.
Neste momento, estas são as duas comunidades de escritores que frequento:
Forward Motion Writers
Romance Divas
Ambas têm actividades interessantes a acontecerem o ano inteiro e são um excelente sistema de apoio.
Naturalmente que há desvantagens em frequentar estes sites. Essa frequência pode tornar-se mais um instrumento de procrastinação. O contacto com outros escritores pode deixar-nos com a ideia que devíamos estar a fazer mais, melhor ou simplesmente diferente. Muitas destas comunidades tendem também a ser muito viradas para o objectivo da publicação e a repetição dessa ideia pode tornar-nos de tal modo obcecados que acaba por afogar boa parte do gozo que tiramos da escrita.
No entanto, todas essas desvantagens podem ser evitadas com alguma facilidade e há muitas vantagens em conviver com os nossos pares. A primeira, e a mais óbvia talvez, é a troca de informação: sobre o meio editorial, sobre os mais diversos contextos espaço-temporais, sobre a língua. Qualquer dúvida que tenhamos é bem provável que haja alguém num destes sites que saiba responder. Depois, há a possibilidade de conversar com pessoas que percebem o que nós estamos a fazer e porquê. Não tem a ver com sermos todos pobres génios incompreendidos, mas pensem nisto: em quantos sítios é que eu podia estar a discutir a pesquisa que fiz para o meu livro de piratas sobre diferentes tipos de chicotes e os seus efeitos sem ter as pessoas a olhar para mim de maneira estranha? Há também a possibilidade de estabelecer contactos profissionais e finalmente, muitos destes sites permitem-nos assumir objectivos e responsabilizarmo-nos por cumpri-los, o que é inestimável num trabalho em que não temos a quem prestar contas.
Neste momento, estas são as duas comunidades de escritores que frequento:
Forward Motion Writers
Romance Divas
Ambas têm actividades interessantes a acontecerem o ano inteiro e são um excelente sistema de apoio.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Processo de Escrita
Ainda me espanta que tantas pessoas pareçam pensar que o que um escritor faz é sentar-se em frente ao computador, escrever "Capitulo 1" e que quando escrever "Fim", a coisa está feita. É claro que o processo de escrita varia de escritor para escritor, mas conheço poucos que não façam algum trabalho de preparação e ainda não encontrei nenhum que não faça pelo menos uma revisão sumária ao que escreveu antes de o submeter. E acho que não quero conhecer: ou serão daquelas criaturas geniais impossíveis com que não se pode falar, ou daquelas criaturas impossíveis que se julgam geniais e com que não se quer falar.
O meu processo de escrita varia um pouco de projecto para projecto (histórias diferentes exigem coisas diferentes, dependendo sobretudo do seu tamanho e da maneira como o texto vai ser estruturado), mas está mais ou menos solidificado.
1. Ideia
Esta é a parte em que eu não faço realmente nada e a parte em relação à qual as pessoas me perguntam mais. Eu culpo o Romantismo e a ênfase excessiva dada à inspiração.
A verdade é que me aparecem ideias para histórias com uma frequência irritante e aquilo que lhes dá origem pode ter as naturezas mais variadas: um documentário, um filme ou um livro; uma pessoa que vejo na rua, uma frase ouvida de passagem ou uma paisagem; um artigo de jornal ou uma fotografia; uma mistura de duas ou mais dessas coisas que se unem para criar qualquer coisa nova.
As ideias são a parte fácil, é só dar alimento variado ao cérebro e elas aparecem sózinhas. Transformá-las em qualquer coisa legível é que exige algum talento e muito trabalho.
2. Pesquisa Informal
Esta fase nem sempre acontece. Depende do que estou a escrever. Tem a ver com ler coisas que se relacionam com o contexto da história que quero contar, mas sem me preocupar demasiado com pormenores. No fundo, é providenciar ao cérebro algum material de base para ajudar na estruturação da história.
3. Fermentação
Preciso de andar uns dias (ou uns meses) com a história a revirar de um lado para o outro na cabeça, antes de conseguir fazer seja o que for dela. Mais uma vez, é uma fase em que não faço grande coisa, senão dar-lhe uma abanadela de vez em quando para a fazer chegar ao ponto.
4. Planificação/Esboço Zero
É uma delineação básica da história, porque eu preciso de saber onde vou para conseguir escrever. Raramente o faço para textos curtos e não posso passar sem ele nos romances e novelas.
Normalmente uso o método de fases da Zette e não me costumo preocupar muito com enredos ou arcos de história. Limito-me a enumerar os eventos pela ordem em que os quero contar, por isso é que lhe chamo mais vezes esboço zero do que planificação.
Por exemplo, este é um excerto do outline de O Anel das Estrelas:
Aquilo que ponho no esboço zero nem sempre se revela no produto acabado. Por vezes, enquanto estou a escrever, a história toma outra direcção. Muitas vezes, enquanto estou a fazer este trabalho, estou também a escrever pedaços de texto que me vão ocorrendo.
5. Revisão do Esboço Zero
Antes de começar a escrever, dou sempre uma vista de olhos ao esboço zero para tentar identificar falhas lógicas e para organizar alguma informação: espaço, tempo, pontos de vista... Depende do projecto. Para Um Vale Entre as Nuvens, cujo esboço zero acabei recentemente e que é um romance epistolar, nesta fase estive a determinar através de que diários, cartas e artigos de jornal a informação de cada ponto seria transmitida.
6. Primeiro Esboço
Esta é a parte mais difícil para mim. Implica manter o traseiro na cadeira o tempo suficiente para escrever e não ligar ao facto de que metade do que vou produzir nesta fase é lixo, puro e simples.
O melhor para mim é escrever este primeiro esboço o mais depressa possível, para não dar tempo aos meus editores internos de começarem a chatear. Normalmente o meu primeiro esboço está cheio de anotações do género: [CENA DE BATALHA]; [MAIS DESCRIÇÂO]; [VIAGEM] e [VERIFICAR].
De há uns anos a esta parte comecei a fazer os primeiros esboços à mão. Aumenta-me a produtividade por estranho que pareça, talvez porque escrevo mais depressa à mão do que o que dactilografo e consigo manter um ritmo mais satisfatório. Ou talvez porque como não estou a trabalhar ao computador, não caio em certas distrações.
7. Primeira Revisão
Implica ler o texto todo e tomar notas do que é necessário acrescentar ou tirar. Depois passo o texto a computador, preencho lacunas e faço as modificações que anotei e outras que me vão surgindo. Normalmente é nesta fase e na seguinte, quando necessário, que faço uma pesquisa mais apurada, para garantir que os pormenores estão bem.
8. Segunda Revisão
Nova leitura. Nesta preocupo-me mais com incongruências na história e com o fluir da linguagem.
9. Revisão Final
Acerto a formatação do texto, procuro gralhas e quaisquer outros pequenos erros que tenham escapado nas duas primeiras.
Normalmente, depois disto, o livro está acabado. É claro que há projectos que precisam de mais uma revisão ou duas antes de eu estar satisfeita com o resultado e, para além disso, quando um projecto é rejeitado, faço sempre uma revisão rápida antes de o enviar para outro lado, porque costumo partir do princípio que o problema pode ser do texto e não de quem o rejeitou.
O meu processo de escrita varia um pouco de projecto para projecto (histórias diferentes exigem coisas diferentes, dependendo sobretudo do seu tamanho e da maneira como o texto vai ser estruturado), mas está mais ou menos solidificado.
1. Ideia
Esta é a parte em que eu não faço realmente nada e a parte em relação à qual as pessoas me perguntam mais. Eu culpo o Romantismo e a ênfase excessiva dada à inspiração.
A verdade é que me aparecem ideias para histórias com uma frequência irritante e aquilo que lhes dá origem pode ter as naturezas mais variadas: um documentário, um filme ou um livro; uma pessoa que vejo na rua, uma frase ouvida de passagem ou uma paisagem; um artigo de jornal ou uma fotografia; uma mistura de duas ou mais dessas coisas que se unem para criar qualquer coisa nova.
As ideias são a parte fácil, é só dar alimento variado ao cérebro e elas aparecem sózinhas. Transformá-las em qualquer coisa legível é que exige algum talento e muito trabalho.
2. Pesquisa Informal
Esta fase nem sempre acontece. Depende do que estou a escrever. Tem a ver com ler coisas que se relacionam com o contexto da história que quero contar, mas sem me preocupar demasiado com pormenores. No fundo, é providenciar ao cérebro algum material de base para ajudar na estruturação da história.
3. Fermentação
Preciso de andar uns dias (ou uns meses) com a história a revirar de um lado para o outro na cabeça, antes de conseguir fazer seja o que for dela. Mais uma vez, é uma fase em que não faço grande coisa, senão dar-lhe uma abanadela de vez em quando para a fazer chegar ao ponto.
4. Planificação/Esboço Zero
É uma delineação básica da história, porque eu preciso de saber onde vou para conseguir escrever. Raramente o faço para textos curtos e não posso passar sem ele nos romances e novelas.
Normalmente uso o método de fases da Zette e não me costumo preocupar muito com enredos ou arcos de história. Limito-me a enumerar os eventos pela ordem em que os quero contar, por isso é que lhe chamo mais vezes esboço zero do que planificação.
Por exemplo, este é um excerto do outline de O Anel das Estrelas:
Capítulo 1: Ataque ao São José
POV: Menendez; ESPAÇO: São José, próximo de Moçambique; TEMPO: 22 & 23 Jul 1622
1. Menendez pensa nas atitudes de Cecília e no modo como estão a perturbar a tripulação, já afectada pela doença. AMANHECER
2. Os homens queixam-se da comida. Menendez teme um motim.
3. Menendez observa Cecília mais uma vez e pensa em como a viagem tem estado a correr mal. ANOITECER
4. Menendez está na sua cabine quando um marinheiro o vem avisar de que o que parecem ser navios pirata se estão a aproximar. NOITE
5. Trata-se de uma frota composta por navios Ingleses e Holandeses, que os ataca. A tripulação do São José defende o navio o melhor que pode, mas estão em desvantagem numérica e muitos deles estão doentes.
Aquilo que ponho no esboço zero nem sempre se revela no produto acabado. Por vezes, enquanto estou a escrever, a história toma outra direcção. Muitas vezes, enquanto estou a fazer este trabalho, estou também a escrever pedaços de texto que me vão ocorrendo.
5. Revisão do Esboço Zero
Antes de começar a escrever, dou sempre uma vista de olhos ao esboço zero para tentar identificar falhas lógicas e para organizar alguma informação: espaço, tempo, pontos de vista... Depende do projecto. Para Um Vale Entre as Nuvens, cujo esboço zero acabei recentemente e que é um romance epistolar, nesta fase estive a determinar através de que diários, cartas e artigos de jornal a informação de cada ponto seria transmitida.
6. Primeiro Esboço
Esta é a parte mais difícil para mim. Implica manter o traseiro na cadeira o tempo suficiente para escrever e não ligar ao facto de que metade do que vou produzir nesta fase é lixo, puro e simples.
O melhor para mim é escrever este primeiro esboço o mais depressa possível, para não dar tempo aos meus editores internos de começarem a chatear. Normalmente o meu primeiro esboço está cheio de anotações do género: [CENA DE BATALHA]; [MAIS DESCRIÇÂO]; [VIAGEM] e [VERIFICAR].
De há uns anos a esta parte comecei a fazer os primeiros esboços à mão. Aumenta-me a produtividade por estranho que pareça, talvez porque escrevo mais depressa à mão do que o que dactilografo e consigo manter um ritmo mais satisfatório. Ou talvez porque como não estou a trabalhar ao computador, não caio em certas distrações.
7. Primeira Revisão
Implica ler o texto todo e tomar notas do que é necessário acrescentar ou tirar. Depois passo o texto a computador, preencho lacunas e faço as modificações que anotei e outras que me vão surgindo. Normalmente é nesta fase e na seguinte, quando necessário, que faço uma pesquisa mais apurada, para garantir que os pormenores estão bem.
8. Segunda Revisão
Nova leitura. Nesta preocupo-me mais com incongruências na história e com o fluir da linguagem.
9. Revisão Final
Acerto a formatação do texto, procuro gralhas e quaisquer outros pequenos erros que tenham escapado nas duas primeiras.
Normalmente, depois disto, o livro está acabado. É claro que há projectos que precisam de mais uma revisão ou duas antes de eu estar satisfeita com o resultado e, para além disso, quando um projecto é rejeitado, faço sempre uma revisão rápida antes de o enviar para outro lado, porque costumo partir do princípio que o problema pode ser do texto e não de quem o rejeitou.
sexta-feira, 12 de março de 2010
As Faces do Mundo de Khaila
Havia demasiados problemas com o Coração de Lobo. Decidi fazer uma pausa para ganhar alguma perspectiva.
Tenho andado a rever o outline para tentar descobrir os problemas estruturais e também a pensar em actores que consigo ver a representar as minhas personagens, para as tornar mais claras para mim. Já fiz o "casting" para a maioria das personagens principais e estou satisfeita com os resultados. Aparentemente as personagens também estão porque os que entram no Coração de Lobo começaram a falar comigo outra vez.



Estou especialmente satisfeita com as escolhas para Ightryn e Ember. E o Skarsgard acabou por dar um Lorean inesperadamente bom.
Tenho andado a rever o outline para tentar descobrir os problemas estruturais e também a pensar em actores que consigo ver a representar as minhas personagens, para as tornar mais claras para mim. Já fiz o "casting" para a maioria das personagens principais e estou satisfeita com os resultados. Aparentemente as personagens também estão porque os que entram no Coração de Lobo começaram a falar comigo outra vez.
Estou especialmente satisfeita com as escolhas para Ightryn e Ember. E o Skarsgard acabou por dar um Lorean inesperadamente bom.
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segunda-feira, 1 de março de 2010
Prazos
Quero entregar o Coração de Lobo à editora no final deste mês. Isso implica que o blogue vai andar abandonado durante uns tempos. Vai ser um mês puxadito.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Tédio
Uma das questões mais frequentes que as pessoas me fazem quando sabem que eu escrevo (além de "A sério?!") é de onde me vêem as ideias para as histórias. A minha resposta habitual é que as ideias vêem de todo o lado, de tudo o que vejo, de tudo leio, de tudo o que aprendo de novo.
É uma boa resposta, mas apercebi-me hoje que talvez não seja a resposta certa, ou pelo menos não a resposta completa.
O banco de informação que vou acumulando tem certamente uma parte importante no surgimento das ideias e no próprio processo de escrita. Afinal, nada surge do nada e penso que todos aqueles que gostam de ler sabem que autores com conhecimentos pouco diversificados tendem a produzir livros ocos e repetitivos.
No entanto, tem de haver mais qualquer coisa a espoletar o processo, qualquer coisa que agrege noções ou pedaços de informação até então distintos para formar aquilo que pode ser a semente de uma história.
No meu caso, estou agora firmemente convencida, essa coisa é o tédio. O que explica porque tantas das minhas ideias ao longo dos anos foram surgindo em viagens longas, aulas aborrecidas, salas de espera...
O cérebro enfastia-se e começa a brincar com o que tem dentro, a sobrepor coisas, a cortá-las e baralhá-las. Parte das vezes, sai disparate, mas também há coisas úteis a surgirem destes momentos: a resolução de uma falha no nosso projecto actual, um pormenor que vai adicionar outra dimensão à história, uma construção frásica que nos encanta.
E, de vez em quando, aparece a tal ideia: a que nos entusiasma e nos faz querer largar seja o que for que estejamos a fazer e escrever até sermos obrigados a parar.
É uma boa resposta, mas apercebi-me hoje que talvez não seja a resposta certa, ou pelo menos não a resposta completa.
O banco de informação que vou acumulando tem certamente uma parte importante no surgimento das ideias e no próprio processo de escrita. Afinal, nada surge do nada e penso que todos aqueles que gostam de ler sabem que autores com conhecimentos pouco diversificados tendem a produzir livros ocos e repetitivos.
No entanto, tem de haver mais qualquer coisa a espoletar o processo, qualquer coisa que agrege noções ou pedaços de informação até então distintos para formar aquilo que pode ser a semente de uma história.
No meu caso, estou agora firmemente convencida, essa coisa é o tédio. O que explica porque tantas das minhas ideias ao longo dos anos foram surgindo em viagens longas, aulas aborrecidas, salas de espera...
O cérebro enfastia-se e começa a brincar com o que tem dentro, a sobrepor coisas, a cortá-las e baralhá-las. Parte das vezes, sai disparate, mas também há coisas úteis a surgirem destes momentos: a resolução de uma falha no nosso projecto actual, um pormenor que vai adicionar outra dimensão à história, uma construção frásica que nos encanta.
E, de vez em quando, aparece a tal ideia: a que nos entusiasma e nos faz querer largar seja o que for que estejamos a fazer e escrever até sermos obrigados a parar.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Procrastinação e preguicite aguda
Já lá vão uns meses, mas as coisas têm andado paraditas.
Passei os últimos seis meses a trabalhar numa cadeia de livrarias. Muito instrutivo, mas os horários rotativos deram-me cabo do sitema e dos tempos de escrito. Para além disso, suspeito que fiquei farta de centros comerciais para o resto da vida.
O primeiro rascunho de OADE está mais ou menos a meio e já levo um bom avanço no do CDL, embora ainda precise de fazer algumas correcções ao outline.
Estou a escrever um piloto televisivo para o Scriptapalooza TV. Sim, eu sei, vai completamente contra a Lei de Yog, mas vou concorrer mesmo assim. Chama-se Black Box.
Estou também a escrever outro guião de TV, sobretudo por diversão. Descobri que preciso de um projecto "amador" para me manter productiva; qualquer coisa que eu não planeie publicar (ou produzir, ou o que for), qualquer coisa que seja só para mim e, talvez, eventualmente, para mostrar a alguns amigos.
Passei os últimos seis meses a trabalhar numa cadeia de livrarias. Muito instrutivo, mas os horários rotativos deram-me cabo do sitema e dos tempos de escrito. Para além disso, suspeito que fiquei farta de centros comerciais para o resto da vida.
O primeiro rascunho de OADE está mais ou menos a meio e já levo um bom avanço no do CDL, embora ainda precise de fazer algumas correcções ao outline.
Estou a escrever um piloto televisivo para o Scriptapalooza TV. Sim, eu sei, vai completamente contra a Lei de Yog, mas vou concorrer mesmo assim. Chama-se Black Box.
Estou também a escrever outro guião de TV, sobretudo por diversão. Descobri que preciso de um projecto "amador" para me manter productiva; qualquer coisa que eu não planeie publicar (ou produzir, ou o que for), qualquer coisa que seja só para mim e, talvez, eventualmente, para mostrar a alguns amigos.
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sábado, 15 de março de 2008
Frustração
Escrever pode ser extraordinariamente frustrante, por vezes.
Dragon's Blood vai precisar de uma revisão bem mais profunda do que eu tinha antecipado. Vai torná-lo um livro melhor, mas é um pouco assustador. Eu tinha um romance terminado e agora já não tenho. Por isso tenho andado a procrastinar um pouco. Ou muito.
Suponho que parte da minha frustração advenha do facto de eu estar a estabelecer uma rotina de trabalho. É um processo de tentativa e erro e parece, muitas vezes, ser infinitamente longo. Tenho aprendido imenso sobre a forma como escrevo, sobre aquilo que preciso para ser productiva, mas às vezes só me apetece grita, atirar seja o que for em que esteja a trabalhar pela janela fora e desistir de tudo.
Uma das coisas que me tem sido difícil aceitar é que só consigo trabalhar num projecto de cada vez. Gostava de poder fazer como algumas pessoas e ter entre mãos vários projectos, todos em fases diferentes: ir pesquisando e planeando um; escrevendo um segundo e editando um terceiro, tudo ao mesmo tempo. Parece extremamente produtivo, mas não para mim.
Portanto, é o Dragon's Blood e só o Dragon's Blood de agora em diante, até estar acabado. As ideias para as modificações necessárias tem estado a fluir bem, também tenho algumas ideias para as sequelas, portanto vou aproveitar. Depois, vou acabar o primeiro esboço de The Starlight Ring. Pensei que conseguia fazer ambos ao mesmo tempo, mas não estava a trabalhar em nenhum deles, portanto é melhor assim.
E a minha musa não ajuda, sempre a despejar-me ideias fantásticas no cérebro nas piores alturas possíveis. Hoje mesmo adicionei mais uma ao meu ficheiro de Projectos Futuros.
Dragon's Blood vai precisar de uma revisão bem mais profunda do que eu tinha antecipado. Vai torná-lo um livro melhor, mas é um pouco assustador. Eu tinha um romance terminado e agora já não tenho. Por isso tenho andado a procrastinar um pouco. Ou muito.
Suponho que parte da minha frustração advenha do facto de eu estar a estabelecer uma rotina de trabalho. É um processo de tentativa e erro e parece, muitas vezes, ser infinitamente longo. Tenho aprendido imenso sobre a forma como escrevo, sobre aquilo que preciso para ser productiva, mas às vezes só me apetece grita, atirar seja o que for em que esteja a trabalhar pela janela fora e desistir de tudo.
Uma das coisas que me tem sido difícil aceitar é que só consigo trabalhar num projecto de cada vez. Gostava de poder fazer como algumas pessoas e ter entre mãos vários projectos, todos em fases diferentes: ir pesquisando e planeando um; escrevendo um segundo e editando um terceiro, tudo ao mesmo tempo. Parece extremamente produtivo, mas não para mim.
Portanto, é o Dragon's Blood e só o Dragon's Blood de agora em diante, até estar acabado. As ideias para as modificações necessárias tem estado a fluir bem, também tenho algumas ideias para as sequelas, portanto vou aproveitar. Depois, vou acabar o primeiro esboço de The Starlight Ring. Pensei que conseguia fazer ambos ao mesmo tempo, mas não estava a trabalhar em nenhum deles, portanto é melhor assim.
E a minha musa não ajuda, sempre a despejar-me ideias fantásticas no cérebro nas piores alturas possíveis. Hoje mesmo adicionei mais uma ao meu ficheiro de Projectos Futuros.
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segunda-feira, 3 de março de 2008
Sangue de Dragão
Há pouco mais de uma semana, mais uma das submissões que eu tinha feito do Sangue de Dragão foi devolvida. O que me fez ponderar as minhas opções não só para este livro, mas para a minha carreira.
Estive a reler o livro neste fim-de-semana, a marcar os pontos em que precisa de ser melhorado. Já há um ano, ou talvez mais que não o lia. É um bom livro: a história é sólida, a narrativa, tirando algumas pequenas falhas, está bem feita. Fez-me rir nalguns pontos e trouxe-me lágrimas aos olhos noutros, apesar de eu já conhecer a história.
Começa a tornar-se óbvio, porém, que não vai ser publicado por uma editora portuguesa. Ocorre-me também que, se quero realmente encontrar-me numa situação em que possa escrever a tempo inteiro, o mercado português não é a solução. O mercado internacional talvez também não seja, não tenho ilusões a esse respeito, mas pelo menos as hipóteses serão melhores.
Por isso, a partir de hoje, vou começar a fazer as correcções que achei necessárias ao livro e a traduzi-lo para Inglês. Penso que é o melhor a fazer neste momento.
Estive a reler o livro neste fim-de-semana, a marcar os pontos em que precisa de ser melhorado. Já há um ano, ou talvez mais que não o lia. É um bom livro: a história é sólida, a narrativa, tirando algumas pequenas falhas, está bem feita. Fez-me rir nalguns pontos e trouxe-me lágrimas aos olhos noutros, apesar de eu já conhecer a história.
Começa a tornar-se óbvio, porém, que não vai ser publicado por uma editora portuguesa. Ocorre-me também que, se quero realmente encontrar-me numa situação em que possa escrever a tempo inteiro, o mercado português não é a solução. O mercado internacional talvez também não seja, não tenho ilusões a esse respeito, mas pelo menos as hipóteses serão melhores.
Por isso, a partir de hoje, vou começar a fazer as correcções que achei necessárias ao livro e a traduzi-lo para Inglês. Penso que é o melhor a fazer neste momento.
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Planeamento e esboços
Não sou uma escritora orgânica. Não consigo sentar-me e começar a escrever e produzir um romance assim. Já experimentei um par de vezes, geralmente por alturas do NaNoWriMo. Simplesmente não funciona. Consigo escrever umas 5000 a 10000 palavras e depois não sei por onde ir. Preciso de estruturas para fazer com que a minha escrita funcione; preciso de um planeamento da história, preciso de um horário, de outro modo, o processo de escrita arasta-se e arrasta-se e eu acabo por perder o interesse.
Tento não planear demais. Habitualmente, os meus planos são mais como um contar da história no Presente, uma espécie de esboço zero. Tendo a usar o planeamento em fases que aprendi a fazer com o livro de Lazette Gifford Nano For The New And The Insane, ligeiramente modificado de acordo com o projecto.
E, a maior parte das vezes, funciona bem; dá-me o fio condutor de que preciso, sem castrar a minha criatividade. Para além disso, este método permite-me planear melhor o meu trabalho. Se quero acabar o primeiro esboço do romance até uma certa data, basta-me calcular quantas fases tenho de fazer por dia.
Os planos de história têm outra vantagem: para mim, é muito mais fácil reposicionar eventos e detectar cenas em falta enquanto a história ainda está em esquema do que depois do primeiro esboço escrito.
No entanto, por vezes, estou tão entusiasmada com uma história que começo a escrever antes da planificação estar completa. Foi o que fiz com o Mountains to Climb. Tinha uma planificação muito básica. A história começou por ser um guião. Quando decidi transformá-la num romance, precisei de expandir a planificação, mas pensei que podia começar a trabalhar de imediato no primeiro esboço. Foi um erro.
A escrita estava a tornar-se cada vez mais difícil. Tenho-me tentado convencer que é só insegurança: se não está acabado, não pode ser uma porcaria, certo? Ontem, porém, fui forçada a confrontar o facto que o problema podia ser outro.
Estava a tentar fazer uma sinopse para pôr no site. E fiz uma, mas é fraca, inadequada e pouco apelativa. E o que me andava a incomodar pelos cantos escusos do meu cérebro tornou-se óbvio: há problemas com a história como está planeada; há parte que são bastante boas, mas o todo do livro não funciona e alguns pontos são uma treta consumada. E se eu, a escritora, os acho uma treta, que dizer dos leitores?
Tinha planeado acabar o primeiro esboço do MTC um pouco antes do fim de Março e depois começar a trabalhar em The Starlight Ring, de modo a que este estivesse concluído em finais de Abril, princípios de Maio. Obviamente, essa já não é a melhor opção. Como tal, tive de reavaliar os meus planos.
A conclusão a que cheguei foi que devia deixar o MTC em paz por agora e começar imediatamente a trabalhar no TSR. Pelos meus cálculos, devo tê-lo acabado em meados de Março. Por essa altura, já deve ter passado tempo suficiente para que eu possa ter uma perspectiva diferente em relação ao MTC e ser capaz de detectar o que está mal e como consertar o problema.
Tento não planear demais. Habitualmente, os meus planos são mais como um contar da história no Presente, uma espécie de esboço zero. Tendo a usar o planeamento em fases que aprendi a fazer com o livro de Lazette Gifford Nano For The New And The Insane, ligeiramente modificado de acordo com o projecto.
E, a maior parte das vezes, funciona bem; dá-me o fio condutor de que preciso, sem castrar a minha criatividade. Para além disso, este método permite-me planear melhor o meu trabalho. Se quero acabar o primeiro esboço do romance até uma certa data, basta-me calcular quantas fases tenho de fazer por dia.
Os planos de história têm outra vantagem: para mim, é muito mais fácil reposicionar eventos e detectar cenas em falta enquanto a história ainda está em esquema do que depois do primeiro esboço escrito.
No entanto, por vezes, estou tão entusiasmada com uma história que começo a escrever antes da planificação estar completa. Foi o que fiz com o Mountains to Climb. Tinha uma planificação muito básica. A história começou por ser um guião. Quando decidi transformá-la num romance, precisei de expandir a planificação, mas pensei que podia começar a trabalhar de imediato no primeiro esboço. Foi um erro.
A escrita estava a tornar-se cada vez mais difícil. Tenho-me tentado convencer que é só insegurança: se não está acabado, não pode ser uma porcaria, certo? Ontem, porém, fui forçada a confrontar o facto que o problema podia ser outro.
Estava a tentar fazer uma sinopse para pôr no site. E fiz uma, mas é fraca, inadequada e pouco apelativa. E o que me andava a incomodar pelos cantos escusos do meu cérebro tornou-se óbvio: há problemas com a história como está planeada; há parte que são bastante boas, mas o todo do livro não funciona e alguns pontos são uma treta consumada. E se eu, a escritora, os acho uma treta, que dizer dos leitores?
Tinha planeado acabar o primeiro esboço do MTC um pouco antes do fim de Março e depois começar a trabalhar em The Starlight Ring, de modo a que este estivesse concluído em finais de Abril, princípios de Maio. Obviamente, essa já não é a melhor opção. Como tal, tive de reavaliar os meus planos.
A conclusão a que cheguei foi que devia deixar o MTC em paz por agora e começar imediatamente a trabalhar no TSR. Pelos meus cálculos, devo tê-lo acabado em meados de Março. Por essa altura, já deve ter passado tempo suficiente para que eu possa ter uma perspectiva diferente em relação ao MTC e ser capaz de detectar o que está mal e como consertar o problema.
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domingo, 3 de fevereiro de 2008
Escrever
Há uns meses, alguém num dos fora que frequento regularmente lançou a pergunta "Porque escrevem?". As respostas foram muitas e variadas e, na maior parte, bastante longas também. A mim tudo o que me ocorreu dizer foi:
Escrevo porque não escrever simplesmente não é uma opção.
Hoje, fui confrontada mais uma vez com a verdade desta afirmação, com o nível a que a escrita está entranhada em mim.
Estava a ver um documentário qualquer sobre o Bornéu. O costume: elefantes, símios vários, muitos insectos. E também um grupo de pessoas a escalarem um planalto no meio da selva para estudar o ecossistema único no topo.
O líder da expedição estava a falar sobre ter de ser cuidadoso com as pedras soltas, não só por arriscar perder o equilíbrio, mas sobretudo por causa do perigo de fazer uma dessa pedras cair sobre as cabeças de quem vinha atrás. O que me ocorreu imediatamente foi que se um alpinista não gostasse de alguém do seu grupo de escalada, essa seria uma boa maneira de se livrar da pessoa em causa.
Lembrou-me a velha anedota sobre a mulher cujo marido fugiu com a criada e cuja reacção imediata foi transformar o acontecido numa história. Não escrever não é uma opção.
Estou permanentemente a escrever. Mesmo quando não estou sentada ao computador, ou com papel e caneta, ainda estou a escrever, porque pôr as palavras no papel é só a ponta do icebergue.
Por isso, basicamente, quando se é escritor, não há dias de folga. A escrita está em tudo, está sempre lá, mesmo que não nos apercebamos disso. De certa maneira, é uma simbiose estranha: a escrita domina a nossa vida, mas dá-nos 1000 outras vidas em troca. Não é um mau negócio.
O lado mau? Quando não estamos a escrever quase nem nos sentimos vivos.
Escrevo porque não escrever simplesmente não é uma opção.
Hoje, fui confrontada mais uma vez com a verdade desta afirmação, com o nível a que a escrita está entranhada em mim.
Estava a ver um documentário qualquer sobre o Bornéu. O costume: elefantes, símios vários, muitos insectos. E também um grupo de pessoas a escalarem um planalto no meio da selva para estudar o ecossistema único no topo.
O líder da expedição estava a falar sobre ter de ser cuidadoso com as pedras soltas, não só por arriscar perder o equilíbrio, mas sobretudo por causa do perigo de fazer uma dessa pedras cair sobre as cabeças de quem vinha atrás. O que me ocorreu imediatamente foi que se um alpinista não gostasse de alguém do seu grupo de escalada, essa seria uma boa maneira de se livrar da pessoa em causa.
Lembrou-me a velha anedota sobre a mulher cujo marido fugiu com a criada e cuja reacção imediata foi transformar o acontecido numa história. Não escrever não é uma opção.
Estou permanentemente a escrever. Mesmo quando não estou sentada ao computador, ou com papel e caneta, ainda estou a escrever, porque pôr as palavras no papel é só a ponta do icebergue.
Por isso, basicamente, quando se é escritor, não há dias de folga. A escrita está em tudo, está sempre lá, mesmo que não nos apercebamos disso. De certa maneira, é uma simbiose estranha: a escrita domina a nossa vida, mas dá-nos 1000 outras vidas em troca. Não é um mau negócio.
O lado mau? Quando não estamos a escrever quase nem nos sentimos vivos.
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